domingo, 4 de setembro de 2011

COMPREENDENDO OS SIGNIFICADOS DO DESENHO INFANTIL




     CONHECENDO O DESENHO INFANTIL



Historicamente a importância do desenho infantil tem sido reconhecida, autores como Henri Luquet e Levi Vygotsky deram suas contribuições a respeito do tema. Mais recente vem Bernard Darras que em 1996 publica a obra capital proporcionando profunda mudança paradigmática no âmbito do desenho infantil.

Segundo Vygotsky (1987), a atividade da imaginação recria ou reproduz aquilo que já existe: as nossas experiências conservadas no nosso cérebro. O desenho não deve ser visto, então, como uma representação concreta do real, pelo menos não no desenho infantil, mas como as impressões que criança tem do mundo.

De acordo com Luquet (1994), para fazer um desenho que seja capaz de expressar todas as características de um objeto real, seria necessário isolar todos os tipos de interferências intelectuais e não permitir que aquilo que se sabe a respeito do objeto ou do que está em torno dele, ou que as emoções gerem distorções, algo que uma criança não pode fazer.

Nesse contexto, a concepção de esquemas gráficos infantis, fundamentada por Bernard Darras (1996), propõe um modelo de simultaneidades no qual as características gráficas são alteradas ou revisadas de acordo com as necessidades comunicacionais e socioculturais das crianças. Assim, percebe-se o desenho infantil como um recurso de desenvolvimento social, tão importante quanto os empregados no desenvolvimento da fala ou escrita.

2.1POR QUE AS CRIANÇAS DESENHAM?



É certo que o sujeito se constitui e se desenvolve com e na linguagem. No caso da criança, o desenho não é apenas uma representação de um objeto, antes é uma forma de comunicar sobre si mesma e sobre a cultura que a influencia. Através do desenho a criança faz o ensaio para as generalizações e as abstrações que são exigidas pela fala e pela escrita. Assim, as representações por meio do desenho adquirem significados que nem sempre condizem com a imagem apresentada.

Nesse sentido, conforme Lowenfeld (1983), quanto mais detalhes existirem no desenho da criança pré-escolar, maior será a consciência que a criança tem das coisas que a rodeiam. A maneira de representar as coisas é um indício das experiências que a criança tem com elas. Para o autor, a imagem que as crianças têm das coisas que a rodeiam se modificará à medida que tiverem mais consciência das características significativas de tais objetos.

O desenho, dessa forma, ajuda a entender o desenvolvimento infantil no que se refere à inteligência, à cognição, à motricidade e à afetividade. Pode-se observar que a partir dos 02 anos de idade, a criança começa a rabiscar as primeiras linhas sobre um papel. Nesseperíodo, aparecemas primeiras apreensões de planos construindo figuras. Em seguida, passa a identificar os primeiros círculos com os objetos de seu cotidiano, tornando-se capazes de nomear um círculo como sendo um cachorro ou gato da família. No entanto, ainda não conseguem manter a relação entre desenho e objeto, ou seja, posteriormente o desenho que era denominado como sendo um cachorro pode ser apresentado como um brinquedo preferido.

Somente por volta dos três anos de idade é que a criança fará equivalência entre desenho e representação gráfica, em especial por meio da primeira configuração da figura humana. A esta primeira permanência na mente de um modo de desenhar um objeto, Luquet (1927) nomeou de “modelo interno”, o que significa a internalização de como desenhar uma categoria de objetos, sendo reconhecidas pela memória.

No desenvolvimento infantil, o “modelo interno” é responsável pelas imagens representativas que ganham permanência como: casa, carro, figura humana. Há uma estruturação entre um código comunicacional e uma referência cognitiva. Assim, a informação visual que é a sensação perceptiva registrada pela mente como a representação do objeto recebe múltiplos elementos que permitem identificação do desenho como uma substituição do objeto concreto, ao mesmo tempo em que leva à memória o desenho realizado.


Após um período de representação de mundo de maneira produtiva e autônoma através de desenhos, período este que compreende a fase dos 3 aos 6 anos de idade, o desenho passa a apresentar maior rigidez esquemática.É o período da infância correspondente à idade escolar, os desenhos da criança adquirem características de automatização e irreflexão. Alguns autores responsabilizam a escola pela falta de originalidade artística desses desenhos.

Os esquemas repetitivos seguem modelos de enquadramento social repressor, conhecidos por toda a sociedade ocidental sedimentando-se aos poucos nas práticas infantis podando a criatividade da criança, ocasionando a perda de particularidade. No entanto, não é possível tecer maiores comentários, pois não existem estudos mais profundos sobre esta divisão entre o desenho mais espontâneo e autoral dos primeiros anos. Contudo, o importante é a compreensão de que o desenho infantil é um elemento cognitivo que produz sentido, generalizações e impressões dos objetos do mundo.



2.2A RELAÇÃO ENTRE O DESENHO INFANTIL E A CULTURA DO SEU GRUPO SOCIAL



O desenho está carregado de impressões do momento vivido pela pessoa que o constrói permitindo entender o período presente, numa integração entre o passado e a história pessoal. Nesse sentido, há um cruzamento entre os valores do objeto e os valores da pessoa revelando-se por meio do desenho.

Segundo Wallon e Cols (1990), cada sociedade ou grupos culturais se expressam graficamente de maneira diferenciada e específica, sem excluírem a existência de signos e de regras universais. Dessa maneira, o meio cultural e social são responsáveis pela representação de determinados objetos. Vygotsky (1987) argumenta que o desenvolvimento natural do homem produz funções elementares enquanto que o desenvolvimento cultural ou social produz funções superiores.

O desenho nesse ponto pode ser visto como um diálogo inconsciente, buscando reunir as exigências do sujeito e as do objeto. Organizando-se o conhecimento e procurando reduzir a distância entre o EU e o NÃO EU.

Dessa maneira, quando a criança desenha a fachada de uma casa, ela não hesitará em representar o interior das peças que a compõem; seus habitantes realizando tarefas familiares, os móveis da casa. De forma que tanto o formato da casa como outros elementos representados acompanham a percepção que ela possui do meio social e cultural em que vive. O sol e a lua, por exemplo, dependendo da sociedade e cultura de um povo, podem ter significados variados. O sol pode representar o dia, calor, vida e poder de fecundação. Enquanto a lua pode ser apenas um astro noturno, ou até mesmo um deus em algumas culturas.

Assim, em cada sociedade as representações por meio do desenho ganham significações distintas por conta dos valores, hábitos e costumes da sociedade em que a criança está inserida.
Fledson Sena






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